7.3.09

EXCOMUNGADOS, E DAÍ ?

Li, e confesso que com muita preguiça, a opinião do acerbispo que excomungou , médicos, mães e envolvidos no aborto da menina de 9 anos, que foi violentada.

Dá ate um pouco de pena usar do meu tempo, precioso tempo de vida, para comentar algo tão patético... Até porque,honestamente e no meu ponto de vista,   ser excomungado ,ou não, não significa absolutamente nada para mim. Quando tinha 9 anos, por decisão própria, decidi não fazer a primeira comunhão, graças a Deus !

O que a igreja e seus sacerdotes, padres, pastores, ou seja lá qual entidade  pensa geralmente me causa horror. Geralmente, deste meio, só vejo atitudes incompatíveis  com o que por eles é pregado... É gente obesa, cometendo o pecado da Gula, mesmo depois de orar antes de comer. É alguém falando de igualdade e se esbaldando em roupas de grife, restaurantes caros, e bens materiais. São orações feitas ao bem estar individual e nunca ao do próximo ...São pessoas que mantém um ar de superioridade em relação aos outros, por se acharem conhecedores de uma verdade que só “eles” conseguem entender.

Os colégios, ou faculdades, dirigidos por entidades religiosas, são particulares e  caros...Não dão a chance dos mais necessitados usufruírem da educação...Enfim...Podia listar um bocado de maus exemplos...E os bons....que dizem existir geralmente são feitos com objetivo de arrebanhar mais fiéis...Ou seja nunca pelo simples fato de fazer o bem, sem ter nada em troca.Ou catequiza, ou não vale ajudar...

Na minha vida, repleta de realizações, boas práticas,  amor e união da família... religião não faz falta alguma. Pelo contrário. As vezes que ela se apresentou, só deixou memórias irritantes...Como por exemplo, a oratória infeliz do pastor que fez meu casamento.

Estou grávida de 6 meses e uma das coisas mais incríveis desta experiência, que pode se dizer realmente divina, é o amor que ela representa.

O coração do embrião, batendo é a materialização do amor entre meu marido e eu.

É a ciência em completa fusão com a emoção.

Toda vez que tenho e tive oportunidade de ver o bebê, através da ultra, fui tomada de bons sentimentos. Isto porque a imagem daquele ser novinho em folha e inocente é a representação fiel do amor, presente em minha vida.

Ela me faz pensar na vida que tive e que tenho: No amor que meus pais me deram; no convívio, pacífico e harmonioso com o meu marido que fez gerar, com muito amor, a criança ali presente; a imaginação em relação ao futuro e  a certeza de que o bebê será amado pela família...

No meu ver, é este o sentimento que faz ou não valer a pena a vida.

Que adianta nascer um bebê fruto de um abuso sexual?

Que tipo de aceitação terá este neném?

Como ele vai se sentir, sabendo que foi gerado diante de uma estupidez tão grande ?

Que relação ele terá com o mundo e com ele próprio?

Como vai encarar sua mãe sabendo que dela foi tirada, à força, sua inocência e o direito de dizer não ?

E o pai ? A figura paterna, não é importante? Não é necessário ter uma referência de onde se veio e por que se veio ?

Tantos problemas graves no mundo vêm justamente desta falta de amor...

Talvez este estuprador terrível tenha sido uma destas crianças que nascem sem querer, sem pedir e não são recepcionadas com afeto necessário para formar um adulto bom, de consciência desenvolvida...

O que é uma vida, simplesmente largada? Tratada com indiferença?

Provavelmente, é uma vida que se manterá assim... Na indiferença, na tristeza, na angústia...

Sabemos principalmente morando no Brasil, o quão doloroso é nascer assim... E quão difícil é buscar uma realidade diferente...

Alguns, vitoriosos , conseguem uma mudança de vida , mas isto pode se ter certeza que porque de alguma forma , pelo pai ou pela mãe, a criança foi querida, foi bem aceita, foi educada.

A criança que nasce sem ser recepcionada com amor, tende a viver sem amor.

E a falta de amor gera atrocidades. Atrocidades as quais a própria igreja condena.

Cadê a coerência?

Melhor poupar a vida e se conduzir precocemente para a morte, que pela própria igreja não é tão ruim assim, por ser a “vida eterna” do que viver no inferno das ruas ou de sua própria mente e corpo.

Por isto, falemos: Excomungados, graças à Deus !!!

Cristiana Queiroga Ranauro

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